O mito grego com um leve sotaque gaúcho

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Vou te contar uma história bem legalzinha.
É um “causo grego”.
Aconteceu há muito, muito tempo atrás. Foi antes no nokia 5125. Ih! Beeeem antes (pra tu ter uma noção de como é antiga a história).
Se passa na época do Império Grego.
É a história de um cara.
Filho de uma ninfa chamada Liríope e o pai era um deus lá, o ‘Deus do Rio’ conhecido como Cefiso.
Alguns dias antes de ele nascer, seus pais queriam saber o que seria do futuro do guri e procuraram o oráculo através de um cara cego, um tal de Tirésias, que diziam ser o ‘bambambam’ das profecias de Tebas. (Dizem que ele ficou cego porque se meteu numa treta cabulosa entre Zeus e Hera. É… vai ver que daí que saiu aquela velha frase: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Também… foi se meter justo com os deuses mais poderosos do panteão… é pedir pra levar né!?)

Chegando lá o profeta disse algo assim: “Mew, na real, tudo certo com esse guri, desde que ele não veja a si mesmo, nem por um espelho. Se for assim ele vai viver muito.”.
Beleza. Os pais então saíram mais tranquilinhos e seguiram as orientações do oráculo.
O jovem foi crescendo e se transformou num belo rapaz.
Mas não era qualquer rapaz. Ele simplesmente era “O cara”. Não só bonito. Tri bonito. Ele era um gato. Segundo fontes seguras, antigamente diriam “um pão”. Aqueles olhos dele, gente, um troço. Hipnotizantes. E ele tinha porte sabe. Parecia um leão andando. Dominador, rei da floresta. Se fosse nos dias de hoje talvez ele teria um carro com um ronco forte e com rodas envenenadas como escorpiões.
O magnetismo dele era do tamanho do seu ego e ele sabia disso.
E a mulherada era enloquecida nele… Como se diz aqui no sul: o chinaredo véio caía matando no corpinho.
Aquela ninfarada cercava ele por todos os lados, mas ele se achava tão demais que só tinha olhos pra ele mesmo. E vendo tantas opções aos seus pés, fazia questão de ignorar e desprezar todas elas. Ah, como ele adorava isso. Sabe aquele cara que visualiza e não responde, não escuta os áudios e sempre tá ocupado? Esse aí mesmo. Mas mesmo assim elas se botavam feito bicho no homem!

Distante dali, lá pros lados do Monte Helicón, morava uma bela e jovem ninfa chamada Eco.
Ela adorava passear pelas montanhas e bosques. Cantava e encantava a todos com sua linda voz. Ela era uma querida sabe, até meio bobinha às vezes. E um de seus defeitos: ela falava demais. Tagarela que só. E se metia numas confusões por ser tão tagarela. Mas ela só queria usar o que tinha de melhor: sua voz.
Aí Zeus, que era muito safadjeeenho e gostava de estar no meio das ninfas, havia usado do dom da fala de Eco para distrair a esposa pra ela não sacar que ele estava no meio do furdunço. Hera, malandramente sacou qual era o esquema ali e condenou Eco a para sempre repetir apenas as últimas palavras das frases que os outros diziam. A ninfa perdeu assim seu mais precioso dom, aquilo que mais amava.
Bah, uma lástima pra guria.
Aí lá estava ela, vagando pelos bosques, curtindo uma bad, quando viu o tal rapaz.
Foi amor à primeira vista. Aquele cara fez bater mais forte o coraçãozim da mocinha.
Mas, como não podia falar por causa da maldição, ela só o seguia.
O rapaz, que tava perdido (sem waze ou maps é brabo né!?), perguntou: “Tem alguém aqui?”
E a ninfa só podia responder: “Aqui, aqui, aqui…”.
E ela o seguia, cada vez mais apaixonada. Pensando como poderia fazer para se comunicar, já que não tinha voz.
Massss, mulher apaixonada dá um jeito sempre né!
Ela o encontrou e meteu um mimiquês loco pra declarar que o amava profundamente e estava disposta a viver uma história verdadeira com ele.
O cara, sempre acostumado a dar foras em todo mundo falou algo assim: “Onde já se viu, eu me apaixonar por uma moça muda? EU, que tenho centenas de mulheres aos meus pés? EU, que sou o mais fodástico de toda Peloponeso? EU, que já passei o rodo em toda Atenas, Esparta e Corinto vou me contentar com uma só e muda ainda por cima? Vai te catar loca. Sai daqui.”.

Eco então caiu numa deprê violenta. Bah, o negócio foi tenso.
Tão tenso que a guria foi bater lá na casa da Afrodite, implorando por ajuda. Pedindo que ela tirasse sua vida.
Afrodite deu um fim no corpitxo de Eco, mas manteve sua voz, pois era muito linda.
As ninfas se doeram pela colega e cansadas dos gelos do moço foram até Nêmesis (a deusa da vingança e retribuição) e pediram um apoio moral.
Nêmesis já sabia do lance e disse: “Xá comigo que eu resolvo.”.
Foi lá e jogou uma maldição no moço, que o faria provar do seu próprio veneno. Que ele iria se apaixonar por alguém de tal maneira, mas nunca iria poder tocar o ser amado.
Eco disse: “Beleza gurias, valeu, tamo junto, unto, unto.”.
E Eco até hoje vaga solitária pelas cavernas, triste pelo crush tão amado, mas não correspondido.

Sua voz ainda segue o rapaz que um belo dia, já cansado de andar, resolve dar uma cestiada perto de um lago. Aquele lago era tão límpido, calmo e claro que parecia um espelho. Se fosse hoje, uma foto ali renderia muitos likes no Insta.
O rapaz então se aproximou do lago e não pode acreditar no que viu.
Algo inédito: o seu reflexo.
“Finalmente.” ele pensou.
Deu match na hora.
Ele estava caidaço de paixão e simplesmente não sabia o que fazer.
Ele, que tanto procurou essa paixão, finalmente a encontrara.
Ele estendia os braços e via o ser estendendo os braços também.
Via aqueles olhos hipnotizantes e estes o olhavam exatamente igual.
Mexia os lábios e aquele ser que parecia prever tudo o que ia dizendo.
Troço loco demais.
E ele, tomado pelo próprio olhar, se aproximou querendo tocar, querendo sentir aquela paixão com suas mãos. Mas não conseguia e não entendia. E cada vez ia mais próximo, buscando e buscando até que hipnotizado, caiu no lago.
E ele morreu afogado, coitado.
Afogado na sua própria vaidade e arrogância.
Na solidão, no fracasso e na frustração de nunca poder ter de verdade o seu ser amado.
Alguns contam que no local onde ele morreu só encontraram uma flor.
Essa flor, que segundo a botânica é extremamente narcótica, chegando a ser tóxica e que é chamada de Narciso.
Por Estela Meyer

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